A final dos sonhos

Foto: David Gray/Reuters

Era o jogo que muitos imaginavam como a final olímpica ideal. Federer e Nadal jogando na Rio 2016 pela disputa do ouro, mas não foi aqui. Nadal caiu logo e Federer, contundido nem veio para aquela que seria sua última olimpíada.

A idade dos jogadores tornava ainda mais improvável uma final épica, num Grand Slam, mas a Austrália recebeu ao vivo e o mundo pela tevê e pela web o grande espetáculo do tênis. Estivesse aqui entre nós, mestre Armando Nogueira teria uma explicação simples para o fato da terra dos cangurus ser o local escolhido pelos deuses das raquetes para receber o duelo entre Federer e Nadal: “é a terra de Rod Laver! Ídolo de ambos e bicampeão do Grand Slam! O único!”

Nada mais justo e óbvio. Na premiação Rod Laver era um menino sorridente participando da premiação de outros dois meninos. Ali o tempo parou e mostrou que mesmo no esporte altamente competitivo e de imenso vigor físico de hoje, talento e categoria escrevem a história e ontem o fizeram de uma maneira única. Ambos voltando de contusões sérias chegaram à final e, na quadra, fizeram um jogo que pode ser chamado de “a final”.

Com o que acontecia na quadra foi se criando uma atmosfera única e a imensa e privilegiada plateia que lotava a Rod Laver Arena manifestava suas preferências, mas torcia pelo tênis que ali era jogado na sua melhor forma. Foram tantos pontos comemorados de pé, por todos os presentes, que lembrava comercial dos anos 60 com o tecido que não amassava com o “senta e levanta” que era acrescido de aplausos mais que merecidos a ambos.

Quase cinco anos após sua última vitória num Grand Slam, Roger Federer mostrou a importância daquele momento com uma sensibilidade e classe dignas de seu melhor tênis. Num esporte onde o atleta tem uma equipe que o acompanha, mas que é extremamente solitário e individual na quadra e nas decisões, Federer disse que lamentava o tênis não ter empate e que não se incomodaria em dividir o título com Nadal.

No lado comercial foi possível ver um coreano de olhos arregalados. Raríssimas vezes um patrocinador ficou tão feliz. Normalmente com discursos frios e curtos a montadora Kia ali mostrava que tinha tirado a sorte grande numa final que poucos apostariam.

Mais que a vitória de Federer por 3×2 ontem que ganhou foi o esporte e no local certo. A Arena Rod Laver com o próprio presente num jogo que pode ser chamado de a final dos sonhos. Do céu Mestre Armando viu com certeza…

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