Copa São Paulo – revela mais que filme

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Para quem não conheceu maquinas fotográficas que utilizavam filme para registrar as imagens, que depois iam para o papel e viravam fotos, o título pode ser estranho. Mas desde o século passado tem um evento que revela mais talentos que filme.

A Copa São Paulo de Futebol Junior, que nasceu como Copa São Paulo de Futebol Juvenil, iniciou sua trajetória em 1969, antes da conquista do tri pela Seleção. Criada pela Secretaria Municipal de Esportes, o torneio tem ligações profundas com minha vida pessoal e profissional.

No campo do hoje CEE Mané Garrincha, antigo Centro Educacional e Esportivo do Ibirapuera, o colégio onde eu estudava, o Alberto Conte jogava futebol às terças-feiras pela manhã, fora do horário de aulas. Isso em 1971, 72. O campo oficial e gramado era o sonho de todo moleque que calçava uma chuteira. Às sete da manhã estávamos em campo, o time era forte e eu jogava na lateral esquerda, mais pela admiração ao Nilton Santos, já que sou destro, que por minhas habilidades. Mas me virava bem ali. Ganhávamos de quase todos adversários e vários amigos também praticavam outros esportes: o Fabinho e mais dois eram craques de handebol no Pinheiros, eu mesmo jogava basquete no São Paulo e tinha uma moçada muito boa de bola.

Num desses jogos, enfrentamos a escola de meu irmão, que era goleiro e se encontrou pela primeira vez com traves oficiais, já que no nosso campinho o gol era menor e mais baixo. Ganhamos de goleada, mas não é que ele pegou um monte de bolas cara a cara e mandou muito bem ali? Não se decepcionou tanto que joga até hoje e se dá bem.

Naquele campo fiz minha primeira entrevista. Foi para o jornal a Lola, que era do Alberto Conte. Meu primeiro entrevistado foi ninguém menos que Falcão. Sim, ele mesmo, Paulo Roberto Falcão, o Rei de Roma. Até hoje quando nos encontramos falamos e rimos sobre isso. Depois da entrevista, que foi antes da final, mostrei o material para meu pai, jornalista consagrado e responsável por colocar Pelé pela primeira vez na primeira página de um jornal – a Última Hora –, que leu e falou que o texto estava bom, mas que o jogador, se fosse tudo aquilo, era um craque. Falei que era, então, de pronto, ele falou: “vamos ver ele em campo”.

Na final lá estava eu com meu pai, que havia virado atração por ser muito conhecido. Conversava com todo mundo. Quando perguntavam a razão de estar lá, respondia que havia ido ver um jogador do meio-campo do Inter. Sentou-se a meu lado acompanhou atento o desempenho e disse depois da partida: “Parabéns! Você descobriu um craque, ele vai para a seleção de novos”. Assim era chamada a seleção juvenil. O técnico era o Antoninho, que também estava assistindo a partida e havia acompanhado outros jogos da Copinha. Claro que o técnico já havia visto o Falcão, mas depois do jogo fiquei muito feliz com o elogio e, para minha surpresa, depois recebi um cumprimento do próprio Antoninho pela análise. Nada mal para um foquinha de jornal de escola.

São tantos grandes jogadores que passaram pela Copa São Paulo que dá um livro de talentos. Aliás, Fábio Lazzari – criador do evento – fez um que é um belo relato da maior vitrine de talentos do futebol brasileiro em todos os tempos.

A bola segue rolando e revela mais que filme…

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