Futebol e monarquia

Paulo Whitaker/Reuters

O futebol e o mundo prestam reverência ao seu Rei. Pelé completou 76 anos.

Tão bom que Pepe, o segundo maior artilheiro da história do Santos, diz que é o primeiro, pois quem está à sua frente não é desse planeta. José Macia, o Pepe, dono de um chute potentíssimo que quando havia falta a favor do time do Santos, os atletas do time adversário não queriam fazer parte da barreira.

Não foram poucas vezes que o Santos utilizou isso a seu favor, e Pepe chutava a primeira falta na direção deles e derrubava alguém. Na segunda cobrança era inevitável. Se abria um rombo na barreira e, na maioria das vezes, era outro gol do Santos. As faltas aconteciam em quantidades generosas, afinal como era possível marcar Pelé.

Pelé era tão bom em campo que, certa vez, Gylmar foi expulso e lá foi ele para o gol. Para aqueles que não sabiam, Pelé sempre treinava no gol e era comum nos coletivos jogar ali. Contra o Grêmio no Pacaembu, ele mostrou o que sabia e garantiu o resultado. Dessa vez lá atrás. Defendeu até pênalti após marcar três gols. Eu, ainda garoto, estava lá e vi tudo isso. Que privilégio…

A presença de Pelé nos gramados do mundo parou guerras e ajudou muito as fazer o futebol o primeiro esporte do planeta. Se olharmos por esse ângulo, todos os outros reinos são menores e estão contidos no dele.

Mesmo com posições fora de campo que possam ser questionadas, Pelé sempre foi um exemplo. Recusou-se a fazer propaganda de cigarros e bebidas quando quiseram criar produtos com seu nome, e que lhe dariam ganhos absurdos. A única que topou foi o café, que veio de um apelido que lhe foi dado pelo saudoso Geraldo José de Almeida, dono de outras sacadas geniais, como “seleção canarinho”, que também ganhou o mundo. E nunca cobrou nada por isso.

Mais que um símbolo, Pelé é a própria essência do futebol. O talento, o jogo coletivo, jogar no gol. Estar em campo, isso para ele é que era fundamental. Uma vez ficou no banco da seleção brasileira, no Morumbi, quando o técnico de então achava que ele e Tostão não deveriam jogar juntos. O resultado disso já sabemos, não é mesmo?

Pelé é tão importante para o futebol e para o esporte que, mesmo aqueles que dizem não reconhecer sua relevância, sempre correram atrás de suas marcas.

Ainda no final dos anos 50, dois jornalistas da Última Hora descobriram o talento do então “Gasolina”, que logo viraria Pelé, e colocaram na primeira página de um jornal, pela primeira vez.

Álvaro Paes Leme, meu pai, e Benedito Ruy Barbosa, autor do primeiro livro sobre o Rei, foram os autores da proeza, e Pelé sempre reconheceu isso. A partir dali virou manchete e começou a ser defendido para ir para a Copa de 58 por toda a imprensa esportiva, que na época era bem bairrista e dividida na rivalidade paulistas x cariocas. Na Copa de 58, Pelé recebeu um troféu por sua atuação contra o País de Gales. Meu pai quem entregou o prêmio ainda no vestiário.

Longa vida ao Rei!

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