Pódio tardio. Mais um bronze em Pequim 2008

bolt

Os Jogos Olímpicos de Beijing em 2008 seguem derrubando medalhistas mais de oito anos depois. Desta vez quem caiu fora do pódio por doping foi a equipe do 4×100 metros rasos da Jamaica no atletismo e, com isso, Usain Bolt (foto) perde uma de suas medalhas de ouro.

Mesmo se mantendo invicto nas pistas com vitórias em todas as provas disputadas, a perda da medalha é uma mancha, não por culpa de Bolt e sim de Nesta Carter, que foi o “espertinho” a utilizar uma substância proibida que não era detectada na época, mas agora é.

Com o COI guardando as amostras mais tempo e submetendo-as a exames anos mais tarde, alguns fenômenos podem desaparecer das páginas esportivas e passar para as policiais e dar espaço a quem competiu de maneira limpa ter sua conquista reconhecida ainda que de maneira tardia.

O Brasil vai para o pódio nos livros, mas não no Ninho do Pássaro. Com a desclassificação da Jamaica, Trinidad e Tobago sobe para o ouro, o Japão para a prata e o Brasil fica com o bronze. Vicente Lenilson, Sandro Viana, Bruno Lins e José Carlos Moreira vão receber suas medalhas. Justo é, mas não sem grandes prejuízos. Para citar apenas um deles Vicente Lenilson na época da Olimpíada disputada na China era do extinto Clube Rede Atletismo e para os medalhistas da equipe havia um prêmio individual de um milhão de reais. Claro que o atleta compete pela glória no esporte, mas faz disso seu meio de vida e isso é um prejuízo gigantesco.

Da mesma maneira contratos de patrocínio, participação em eventos e competições que envolvem cachê geram um efeito bola de neve que acrescenta muito dinheiro ao prejuízo dos atletas. Quando acaba uma Olimpíada os vencedores são os primeiros a serem procurados para patrocínio, contratos de imagem e, obviamente, os que recebem muito mais.

Vicente Lenilson vencia Nesta Carter com facilidade quando eram juvenis viu o jamaicano em um pouco mais de um ano aumentar muito o tamanho e sempre fazer tempos abaixo dos dez segundos o que era bem suspeito, mas o jamaicano nunca havia sido pego num antidoping até agora.

A guarda das amostras por até dez anos cria uma nova fase no esporte. Aquela na qual os atletas que tentam burlar a lei ficam sujeitos a técnicas futuras de exames que possam apanhá-los. Como o doping não prescreve perder medalha e glória é péssimo para um campeão olímpico. Mais ainda quando tira um ouro do maior de todos os tempos Usain Bolt que nada tinha com o rolo. Esse é o legado de Carter.

Vale a pena esperar agora e ver se o revezamento americano nos Jogos de Sydney em 2000 terá o mesmo tratamento da equipe da Jamaica uma vez que Jerome Young e Tim Montgomery integrantes da equipe americana que participaram das eliminatórias confessaram competir dopados na Austrália.

Claudinei Quirino, Edson Luciano, André Domingos e, novamente, Vicente Lenilson aguardam. Como o COI decide caso a caso resta saber se os americanos serão punidos.

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