Viagem no tempo – parte 1

alvarojosebeneditoruy

Todos já lemos, vimos ou ouvimos algo sobre viajar no tempo. Ciência, ficção científica, universos paralelos. Nenhum de nós deixou de imaginar como seria voltar à infância, rever grandes amigos, paixões e gente muito querida que, fisicamente, não está mais entre nós.

Ontem eu viajei no tempo. E tenho testemunhas disso. Algumas muito queridas e conhecidas de longa data, outras que tive o privilégio de conhecer na mesa em que tudo aconteceu.

Quem nos levou nessa viagem foi ninguém menos que o grande Benedito Ruy Barbosa (foto), ou Ruy, como todos o chamavam na Última Hora. Grande jornalista, escritor maior ainda, publicitário, dramaturgo e autor de muitas das maiores novelas da história da tevê brasileira. Ele foi o catalisador. Se tudo isso que ele fez não bastasse, foi ele, Ruy, quem viu Edson, um menino magrinho com uma malinha surrada, chegar ao Santos.

Uma das teorias da viagem no tempo é que tudo precisa estar num sincronismo absoluto. E o maior exemplo disso é um jornalista ir cobrir a apresentação de um grande ídolo da época – Jair da Rosa Pinto – em seu primeiro treino e encontrar um menino levado por Waldemar de Brito e que tinha em sua mala surrada a chuteira, o calção e as meias que usaria pouco depois. O que senão a conjunção perfeita faria com que o craque pagão se machucasse e pedisse para sair do treino e Lula mandasse o menino do qual ele tinha rido pouco antes para se trocar e voltar com a camisa do craque.

Pois é, ao vestir a camisa de alguém que ele colecionava como figurinha, o moleque virou Gasolina e depois Pelé. Ganhou o mundo e o único jornalista que estava lá era o Ruy. Deve ter sido o maior alinhamento do universo para o surgimento de um dos maiores talentos da história. Não consta que tenham sido vistos OVNIs na ocasião, portanto não era um ser de outro planeta, embora até hoje muitos afirmem isso.

Ouvi as histórias dos primeiros passes, o deslumbramento daqueles que eram ídolos do garoto franzino e de Lula, o saudoso Luiz Alonso Perez, que tomou posse do garoto e ficava ao lado dele direto, até que seu Dondinho viesse de Bauru para assinar o “contrato de gaveta”, já que o futuro Rei era menor. Logo ele que pouco antes havia desdenhado do futuro melhor do mundo, frase dita por Waldemar de Brito, que, segundo Ruy, quando foi dita arrancou um sorriso torto do grande técnico santista…

A viagem foi longa, apesar do tempo passar muito rápido. São os mistérios da ciência e da vida. Então a viagem continua.

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